terça-feira, 17 de março de 2009

Dicas para futuros Contadores de Histórias




Contar histórias é um barato, em todos os sentidos, e uma atividade altamente recomendável para quem anda procurando uma atividade que dê um sentido mais amplo à vida. Hoje eu recomeço a minha atividade na Fazer Arte e estou escrevendo especialmente para aqueles que também desejam ser Contadores de História, mas não sabem por onde começar.

Se tiver acesso à uma boa biblioteca, você não precisará investir muito, além de um pouco do seu tempo. Mas não se empolgue: reserve duas ou três horas semanais. Para as crianças, continuidade é mais importante que uma carga horária gigante no início, seguida de um sumiço repentino. Quando uma pessoa que é especial para a criança desaparece, é uma tristeza! Existem muitas crianças ávidas por uma boa história, portanto, não será difícil encontrar uma instituição que te acolha.

O trabalho de contação de histórias começa com a escolha do livro. Procure livros que te encantam, assim, ficará mais fácil encantar as crianças. Leia a histórias várias vezes, treinando a entonação e buscando de algum modo entrar na história: ao fazer parte da narrativa, você falará com propriedade e seus pequenos ouvintes vão acreditar em tudo o que você diz. Portanto, sempre que possível, escolha histórias que tragam beleza, valores e generosidade.

Para quem não tem dinheiro para comprar livros e nem dispõe de uma boa biblioteca, existem três alternativas: criar suas próprias histórias, procurar contadores de histórias tradicionais ou acessar sites que trazem boas histórias infantis.

Ao chegar na escola, faça uma roda com as crianças. Se a turma for muito grande, funciona melhor um cantinho onde elas possam se sentar juntas em três ou quatro fileiras. Elas podem estar no chão, mas cuide para que fiquem confortáveis. Não espere atenção o tempo todo. As crianças conseguem fazer várias coisas ao mesmo tempo. Uma dica: dê atenção aos que te ouvem e o grupo de ouvintes tenderá a crescer.

Gosto de introduzir o trabalho contando um pouco sobre o livro, mas é preciso cuidado para não atrapalhar a surpresa. Em geral, conto a eles porque escolhi aquele livro: eles gostam de saber que pensei neles em outros momentos. Começo a contação da história, garantindo que todos consigam ver o livro. Não corro com a leitura, buscando saborear o texto e as ilustrações e cuidando para que as crianças façam o mesmo. Também gosto de observar a reação de cada uma delas e sempre que possível, discuto com outros profissionais, como as cuidadoras e a psicóloga, algumas reações como tristeza, agressividade...

Ao contar histórias, além de incentivar a leitura, procuro levar tanto carinho quanto eu recebo das crianças e dos funcionários da Fazer Arte. Se você experimentar, garanto que não vai querer saber de outra coisa!

2 comentários:

Eduardo Cassiano disse...

Bom dia professora,
Quanto a contar histórias, tenho dúvidas se no momento da contação é errado fazer a leitura do livro... É que sou iniciante nessa área.

Eduardo Cassiano
Paragominas-PA

Silvania Santos disse...

Olá Eduardo,

os contadores podem narrar com ou sem o livro. A minha avó, que era analfabeta, sabia de cor histórias incríveis que prendiam a atenção de todos. Mas ao usar o livro, o contador também revela aos ouvintes que os livros são fontes preciosas e isso pode resultar em oura coisa maravilhosa que é o interesse pela leitura. Enfim, não tenha medo de usar o nosso bom e velho amigo, desde que a leitura tenha entusiasmo e verdade, a história irá encantar da mesma forma.